terça-feira, 3 de janeiro de 2012

3.0

últimos dias da década de 20 pra mim. logo, farei a idade que me dão há 10 anos. então, talvez, tudo ficará certo. o peitinho já foi mais bonito, já foi mais metido, mas lucas continua colocando tudo na boca com muito gosto, mas sendo mulher, sou meio lésbica comigo mesma, me apaixono e desapaixono por mim mesma várias vezes. fases de me encantar com meu colo, fases de morrer ao encarar minha bunda no espelho. oh, scarlet, eu jamais poderia fazer uma foto assim.
sendo a sorridente que sou, a pele em volta dos olhos começa a formar estrelas já. sem falar nas varizes, verdadeiros mapas de rios que passeiam sem dó pelos meus pés, pernas e até mesmo nas faces. sendo grata ao universo, fico feliz com o básico, as duas mãos, a visão, a audição, minha quantidade de eloquência, minha tendência a discrição, mesmo sendo hiperbólica, em tamanho e coração. agradeço lucas, como eu mesma disse num ritual maluco de ano novo feito com pouquíssimos queridos: XERECA AO CÉU. disse isso pra agradecer. todos riram. eu ri também, claro. foi um momento íntimo e engraçado e de agradecimento.
ninguém me perguntou a idade esses dias, talvez sinta saudade de dizer "29", talvez não. não mais do que sinto saudade de só mostrar a mão. a mão inteira.

quarta-feira, 30 de novembro de 2011

troncha

deu tudo certo, mané retorno de saturno o quê, brasil, correu tudo bem. mentira. se você pergunta isso pro lucas, ele diz: CAÔ. pra ele não, porque daí o mergulho é profundo, garganta, corte, tudo profundo. teve essa noite da iluminação, que eu disse olhando na cara dele, chorando, porque estava emocionada, comovida de pensar aquilo, eu disse:"eu estou muito feliz com os lugares que eu tenho chegado na minha cabeça". ele ficou muito feliz e disse que queria ser um neurônio meu só pra saber melhor whatthefuck. essa noite de iluminação, que eu saí, vi de fora, voltei, sosseguei o facho, o cerebelo, os demônios sempre preparados nos ouvidos, sossegay, queria escrever melhor, claro. sempre. óbvio. até porque foi um lance muito forte, minha cabeça chegou num lugar que ainda nunca. mas passar é difícil. eu tô fazendo só pra ter 67 anos e reler e pensar: "lembra dessa noite, caslu?" ele talvez diga não, mas eu vou ter chegado n'outro lugar. e não vou me importar.

domingo, 20 de novembro de 2011

Saturnina

Tenho 9 anos e está na moda ter caderno de perguntas. Com sorte, o Rodrigo Barbosa vai responder, e eu vou saber um pouco mais sobre ele. Na minha rua quase não passa carros, as pessoas brincam de tudo. Vôlei, taco, bonecas e os mais adolescentes (eu tinha HORROR à tal palavra) ficam só de papo na calçada.
A primeira pessoa a responder meu caderno de perguntas foi minha vó Marphisa. Ler hoje em dia é quase morrer de rir. Ela já era senhora e respondia senhoramente.
Estava na moda responder caderno de perguntas, as pessoas se sentiam importantes. Sendo assim, meu caderno caiu nas graças dos adolescentes da rua. Esses não me zoavam, fui muito feliz na rua. No colégio é que a coisa foi mais complicada.
Quando o caderno foi devolvido, fui ler curiosa. Nomes que eu até então só sabia quem eram de longe.
Eu tinha 9 anos, um pouco de audácia, mas eu tinha 9 anos. Pense.
Uma das perguntas era: "Um país bonito? Um planeta?"
A primeira era sempre respondida. "França, Itália, Brasil" ganhavam, creio eu. Já pra segunda, fui bem ridicularizada:
"Só conheço a Terra, querida, e você?" ou "COMO ASSIM PLANETA BONITO, TÁ LOUCAAAA?"
A última pergunta do caderno era: "Faça uma pergunta pra mim"
Uns foram fofos, outros atacaram: "Qual planeta você vive?" ou "Quando for pra outro planeta, me chame, tá?" De 22 pra baixo.
Não cheguei a ficar ofendida, porque eu realmente era muito distraída na infância, foi o colégio que me deixou vez ou outra com idéia fixa e mania persecutória. Minha essência é distraída. Portanto não me ofendi, mas fiquei com pena deles, que só conheciam um planeta.
Obrigada, mamãe.

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Just in case

Se liga> sonhei que colocava música no microscópio. Calma, antes eu estava numa praia de água transparente, meu brit-sobrinho comigo. Eu dizia: "Passa a mão na estrela do mar, Rafi", ele respondia "Não, tia!", doido. Aí depois é que eu colocava música, não sei como, perdão, no microscópio, rolavam mil colcheias, sabe colcheia? Era meio como o céu negritude de lugares afastados, só estrelas, umas nebulosas e puro preto bonitão. DEVE SIGNIFICAR MEU ESTREITAMENTO COM A MÚSICA, TÔ VENDO MELHOR, MAIS DE PERTINHO. Ou não. É uma pena que o "ou não" já é tão do Caetano. Saco. Hoje ouvi "quereres" e chorei. Mandei pro Lucas. É de viés.

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

a malvada (all about eve)





cheiro

cheiro de boceta atrai homens e animais também.
esqueci um biquini usado e mezzo lavado pendurado na janela. preguiça de lavar no tanque, acabei só passando uma água e deixei pra depois.
hoje foi depois, e quando entrei no box do chuveiro, várias formigas comiam meus restinhos de ovulação. de onde surgiram tão rápido? moro no sexto andar. foi lá debaixo? foi de dentro das paredes?
um mini tiny weenie narizinho de formiga consegue sentir um resto mortal de algo que não fecundou, mas tem cheiro de possibilidade.
homens e formigas sentem esse cheiro. de possibilidade.



segunda-feira, 17 de outubro de 2011

Sylvia Plath (dos favoritos)

Elm

I know the bottom, she says. I know it with my great tap root;
It is what you fear.
I do not fear it: I have been there.

Is it the sea you hear in me,
Its dissatisfactions?
Or the voice of nothing, that was you madness?

Love is a shadow.
How you lie and cry after it.
Listen: these are its hooves: it has gone off, like a horse.

All night I shall gallup thus, impetuously,
Till your head is a stone, your pillow a little turf,
Echoing, echoing.

Or shall I bring you the sound of poisons?
This is rain now, the big hush.
And this is the fruit of it: tin white, like arsenic.

I have suffered the atrocity of sunsets.
Scorched to the root
My red filaments burn and stand,a hand of wires.

Now I break up in pieces that fly about like clubs.
A wind of such violence
Will tolerate no bystanding: I must shriek.

The moon, also, is merciless: she would drag me
Cruelly, being barren.
Her radience scathes me. Or perhaps I have caught her.

I let her go. I let her go
Diminshed and flat, as after radical surgery.
How your bad dreams possess and endow me.

I am inhabited by a cry.
Nightly it flaps out
Looking, with its hooks, for something to love.

I am terrified by this dark thing
That sleeps in me;
All day I feel its soft, feathery turnings, its malignity.

Clouds pass and disperse.
Are those the faces of love, those pale irretrevables?
Is it for such I agitate my heart?

I am incapable of more knowledge.
What is this, this face
So murderous in its strangle of branches?--

Its snaky acids kiss.
It petrifies the will. These are the isolate, slow faults
That kill, that kill, that kill.


Olmo

Sei o que há no fundo, ela diz. Conheço com minha própria raiz.
Era o que você temia.
Eu não: já estive lá.

É o mar que você ouve em mim.
Suas frustrações?
Ou a voz do nada, essa é sua loucura?

O amor é uma sombra.
Como você chora e mente por ele.
Ouça: estes são seus cascos: fugiram, como cavalos.

Vou galopar a noite inteira assim, impetuosa,
Até que sua cabeça vire pedra, seu travesseiro vire turfa,
Ecoando, ecoando.

Ou devo te trazer o borbulhar das poções?
Isso agora é chuva, esse silêncio imenso.
E este é seu fruto: branco-metálico, como arsênico.

Sofri a atrocidade dos poentes.
Queimada até as raízes
Meus filamentos ardem e ficam, emaranhados de arames.

Meus estilhaços se espalham em centelhas.
Um vento violento assim
Não suporta obstáculos: preciso gritar.

A lua, também, não tem pena de mim: me engole
Cruel e estéril.
Seus raios me arruínam. Ou quem sabe a peguei.

Eu a deixo ir, ir
Magra e minguante, como depois de uma cirurgia radical.
Seus pesadelos me enfeitam e me possuem.

Dentro de mim mora um grito.
De noite ele sai com suas garras, à caça
De algo pra amar.

Sou aterrorizada por essa coisa negra
Que dorme em mim;
O dia inteiro sinto seu roçar leve e macio, sua maldade.

Nuvens passam e se dispersam.
São estas as faces do amor, pálidas, irrecuperáveis?
Foi pra isso que agitei meu coração?

Sou incapaz de mais compreensão.
E o que é isso agora, essa face
Assassina em seus galhos sufocantes? -

O beijo traiçoeiro da serpente.
Petrifica o desejo. Esses são os erros, solitários e lentos,
Que matam, matam, matam.

terça-feira, 4 de outubro de 2011

knock knock

insistem na minha atriz, insistem.
e eu insisto em bater três vezes na minha cara quando falam alguma desgraça.

sábado, 1 de outubro de 2011

a)

eu gosto quando o sol me cega
e qualquer um vira uma surpresa