sexta-feira, 10 de agosto de 2012

quinta-feira, 9 de agosto de 2012

vaiq

maior sacode. se der mole, é cabum total. raio caindo.  três segundos de luz. por aí. trovão não. porque envolve barulho, e não chega a ser estrondo. se fosse, eu estaria ensandecida, e tô só com muita vontade de gargalhar e fico falando sozinha também. e passando a língua no céu da boca. quase nos dentes, esse pedacinho sagrado. aliás, se alguém algum dia sofrer desse mal que deve ser perder tesão em qualquer coisa, pessoa, comida, sugiro fazer cosquinha no céu da boca, mas sempre próximo aos dentes. tudo volta. gran sacode.
de resto, vez ou outra um raio, iluminando o susto que tem que ser iluminado.
tem gente que precisa apagar mensagem pra caber outras. eu não. pode vir. tudo.

quarta-feira, 8 de agosto de 2012

say my name, say my name

descobri que o luciano huck e a angélica vão dar o nome pra filha que eu pretendia dar à minha quando a tivesse. fón. big fón. essa coisa de nomes é engraçada. têm os da moda e você entra na maternidade e todas as portas dizem bem-vindo, X, bem vinda, Y. troquei as letras e os cromossomos do sexo, reparei. há os que arriscam, e neles boto fé, pois não quero meu filho sendo chamado pelo sobrenome ou por algum apelido situacionista. mas também acredito em destino. e eu mesma já apelidei alguns queridos nessa vida. rolam também as homenagens. acho maior risco carmático botar nome do pai ou da mãe no rebento. de vó ou vô, já consigo. de repente carma é que nem miopia e pula uma geração. rá. há ainda uns dementes que colocam no nome dos filhos, nomes de tiranos ou até mesmo amantes. muito peso acarreta, condena praticamente. agora fiquei sem nome pra filha, não quero parecer que imitei o luciano huck e a angélica, bons moços que me fazem dizer argh vez ou outra. volto pra outro século, pra minha própria árvore genealógica e me deslumbro ao pensar que um dia foi tranquilo e normal batizar alguém de EROTHILDES (minha tia-vó), ALTAMIRA (minha bisa) , DAGOBERTO (meu biso), MARPHISA (minha vó) e RÉGIA (outra vó). ciao, eva. gracias pelo útero oco e o coração cheio.

quarta-feira, 1 de agosto de 2012

opa

olá, meu nome letícia e eu estou há 10 dias sem reclamar.

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poesia não tem sogra
tampouco mãe e pai
por isso que eu viro a poesia de 4
e meto bem fundo nela

VAGABUNDA GOSTOSA

quarta-feira, 25 de julho de 2012

bicho do mato

quando o assunto para na carne
é porque tem carne no assunto

tem tempo isso
essa carne

mas foi só outro dia que virou assunto

segunda-feira, 9 de julho de 2012

minha caroça




não tenho cílios pra tanto donzelismos
tampouco a curvatura da maldade na sobrancelha
tenho a cara boa
embora haja muito faro
pra pouco queixo
tenho a cara boa
só não me enganam
porque tenho a cabeça ruim


sexta-feira, 6 de julho de 2012

rarara

chamo lucas de caslu, mas antes dessa onda do "verlan" (ai que chic, você deve pensar, mas é que sou filha de professora de francês, então aprendi assim) eu sempre gostei de ver os nomes ao contrário. conhecia alguém e batata! já pensava como era ao contrário. tudo isso pra dizer que ontem meu irmão e eu lembramos de um amigo dele que chamava AGNUS.  

segunda-feira, 2 de julho de 2012

sobre Z


prefiro falar e escrever MEZZO do que "meio" porque sinto saudade da letra Z na nossa vida. não vejo muita zebra, tampouco zepelins e meu ouvido é bem tranquilo, de modo que não rola ZUNIDO. mas cadê essa letra gostoZa, derradeira, misteriosa e principalmente tesuda no nosso dia-a-dia? embora seja a onomatopeia do sono, o que questiono pois nunca ouvi alguém dormir em ZZZZZ, tal letra me deixa muito animada. não há, não rola. o que rola muito é H, quase sempre desnecessário e dando rasteira em geral, porque é um tal de "A cinco anos eu não ando de avião". tudo bem que você entende, todo mundo entende, mas é sabido que falta. mas falta porque, afinal?
com 6 ou 7, estava numa festa de adultos, só tinha uma criança, ficamos brincando de quadro-negro, não especificamos os cargos professora e aluna, a mágica era poder tocar no giz e num quadro negro. acabo de adorar escrever giz e hummm. GiZZZZZZ. uma hora chega uma tia-avó dessa menina, olha pra mim e lança o desafio: "você sabe escrever helicóptero?" claro que não sabia, mas claro que eu não peidei. e claro que eu errei. ainda não tinha entendido o mistério da letra H. 
a letra Z também me fascinava pela mentira do som aprendido e a realidade carioca. meu pai chama LUIZ. mas no colégio eu entendi que era pra fazer /luizê/ e em casa era só /luisch/, confuso. só quando começa, o Z é o Z. zebra, zigoto, zarabatana, zangado. no final vira o sotaque da cidade onde você se encontra. luz, sagaz, feroz. 


ando mezzo animada com minha literatura, para-além do exercício, tô sentindo o caule tomar corpo, nossa, como eu pude ser tão raiz tanto tempo. raízê.
se as maçãs não surgirem, tampouco as flores, eu sempre fui mais de planta mesmo. mesmo. 

sábado, 30 de junho de 2012

glub

saudade de ritual. estou tentando alguns. a solidão é boa para os rituais. quando com amigos conectados, flui bem também. estou fascinada por peixes. descobri que é meu descendente na astrologia. eu que só pensava no ascendente, ignorava por completo o descendente. é peixes. são peixes. abissais, eu deliro. namorado, eu como. espada, eu luto. é minha mãe. aquela mulher maluca e linda que me emprestou a barriga quando eu precisei. que gran loucura. que gratidão. diz minha mãe que quando a gente era criança e ela ia nos buscar no colégio, geralmente eu estava numa acirrada partida de queimado pois sabia que ela ia se atrasar (ela também dava aula, só que em outro colégio), e diz dona sônia que ela entrava numas da telepatia. juntava os dedos polegar, indicador e dedo médio (das duas mãos), e pensava: "a letícia vai olhar pra mim agora". diz ela que eu olhava na hora. que nunca falhou. isso é peixes. isso é lindo. saudade de ritual.
a  letícia vai olhar pra mim agora.