quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

Camp

para caslu, cana, bruna&flavia, karen&fabinho, bb, ju, sinira, maína


Acampei no reveillon. Estou para fazer 31 anos, canto numa banda, tenho algum conforto comum à classe média, mas acampei no reveillon. Há 13 anos fiz meu primeiro camping. Tenho fotos d'eu bebê com meus pais numa barraca, mas não lembro exatamente. Com memória, lembro de ir para Ilha Grande com meu irmão e alguns amigos. Eram 100 pessoas e uma privada, de modo que passei 4 dias enfezada, voltei com febre. Mas estou resumindo na parte ruim. Foi um momento bem mágico. Eu, que só viajava com os pais, os adultos, me encontrava pela primeira vez, livre e disposta a qualquer coisa.
Depois conheci um lugar, que não digo o nome, pois já vou a esse lugar há 9 anos e ele não muda. Mudam as pessoas, mas o lugar permanece tão intacto, que continuo acreditando no poder da não divulgação.
A primeira vez nesse lugar, peguei bicho geográfico, permitiam cachorros, agora não deixam mais, pois todos mandaram fotos dos pés com os mapinhas feitos pelos bichos. Era um horror. E ainda assim voltamos. Esses somos nós, os que esquecem. Meu grupo muda, existe uma raiz, de tempos em tempos, surgem agregados, gostamos muito de brincar de casinha. Alguns dizem que é programa de índio, coitados. Completamente desconectados da selvageria. Eu gosto de travesseiro e edredon e tudo mais, também gosto de vez ou outra usufruir de um luxozinho. Mas o lugar compensa. E é o descobrimento do Brasil. É intocado. Capaz de você se sentir um português numa nau. As estrelas são cadentes, os vagalumes são coelhos. Enjoando da água do mar, você corre pro rio, finca a barraca e recebe a benesse.
Acampar te traz vizinhos, uns são chatos e reclamam de tudo, como qualquer prédio. Outros sorriem de orelha a orelha e dão bom dia e você faz valer a frase. Os dias são bons. As comidas, improvisadas, viram banquete, ainda mais depois de 5 horas de imersão marítima e mais 4 horas de imersão fluvial. Tem também os 4 km de areia, que a gente brinca de andar de olhos fechados, porque ninguém nunca vai esbarrar em você, nunca teria como. As crianças são livres e te mostram peixes, maria farinhas, e você mesmo, se der sorte, encontra um bicho quase pré histórico.
Você brinca de casinha selvagem. O sol não castiga pois temos utensílios. A chuva se anuncia, e essa sim pode fazer alguns estragos. Mas nada que no dia seguinte, não te faça gargalhar na cozinha em comum.
Eu gosto de acampar. Estou ficando velha, estou. A lombar reclama de toda hora ter que abaixar e abrir o zíper da barraca. Mas que alegria brincar de maquete, estar dentro da maquete. Hoteis são luxosos e te ajudam em tudo. No camping você faz valer. Cada momento de sono ou gozo. E cada vez é melhor por que você vai lembrando o que te faz falta. Digo que vou parar, mas sabe-se lá. Os ambientes me dominam e me seduzem. Hoteis 5 estrelas são bem vindos, claro. Mas esse lugar vai ser sempre assim. Então, Eros. Eros 2013. Que seja como foi.

quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

que 2mil&13

seja mais suave

astrologicamente sei que não vai ser

foda

mas não custa nada desejar

suavidade
suavidaddy

sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

embrulho


na tijuca, na loja asiática de muitas opções, as vendedoras ainda embrulham o presente com papel. não é saquinho plástico metalizado. é papel colorido, com cheiro de mesbla. quando é caixa, facilita. e as mãos deslizam e o durex ajuda, e eu vou encostando minha pançiña no balcão e ficando com muito, muito sono. é uma coisa bonita de ver. abrir presente e rasgar papel é excitante, & curioso. mas a feitura, o processo do antes é quase sonífero, pra mim.

quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

z

todos dormem antes de mim
é bom brincar com seus corpinhos
ver o r.e.m
especular se sonham comigo
ou com outras
me sentir no filme
um morto muito louco
tocar os corpinhos
dar tchauzinho
ver as partes relaxadas
todos dormem antes de mim
todos morrem antes de mim
todos sonham antes de mim
meu nome é depois


domingo, 16 de dezembro de 2012

anoz lus
anos luz


segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

tragédia grega

apocalipse não é o fim do mundo. é revelação.

quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

gaivota

o pássaro
vê o peixe de cima
e mergulha

eu sinto
o peixe por baixo
e saio




domingo, 11 de novembro de 2012

Sadness, por Lithe Ebullience

Sadness gives depth. Happiness gives height. Sadness gives roots. Happiness gives branches. Happiness is like a tree going into the sky, and sadness is like the roots going down into the womb of the earth. Both are needed, and the higher a tree goes, the deeper it goes, simultaneously. The bigger the tree, the bigger will be its roots. In fact, it is always in proportion. That's its balance.

Tristeza dá profundidade. Felicidade dá altura. A tristeza são as raízes. A felicidade são os ramos. A felicidade é como os galhos da árvore que crescem em direção ao céu, e a tristeza é como as raízes descendo no ventre da terra. Ambos são necessários, e quanto maior a árvore é, mais fundo as raízes vão, simultaneamente. Quanto mais alta a árvore, mais profundas serão suas raízes. Na verdade, é sempre proporcional. Esse é o seu equilíbrio.

terça-feira, 6 de novembro de 2012

su

levei 4 pontos no suvaco
nunca tinha levado ponto
nunca abri nada
tampouco quebrei
já me machuquei um bocado
mas nunca tinham me costurado
e logo no suvaco
meu amor
meus ferormônios
meu tesão todo
4 pontos no suvaquinho esquerdo
mais uma cicatriz pra amar
e ficar me me admirando no espelho

domingo, 7 de outubro de 2012

revelaçãoziña

já sabia que fui bebê difícil, filha do verão da classe média sem ar condicionado. caçula de 3, menino é mais fácil? os meus irmãos eram. nasci chatinha, vênus retrógrada, rolou alguma coisa sim. minha mãe cansada, também pudera, parada louca, hoje em dia nem filho tenho e meus amigos só têm 1 e já sofrem, já não saem de casa pra nada, e minha mãe teve 3 em menos de 5 anos, pow pow pow.
gosto de saber da minha infância, é minha lua. me leva diretamente pra isso. lucas não, lua em aquário, acha fofo descobrir, ri, mas não se apega a isso, de maneira alguma. eu faço alusões, interpreto, levo pra além. pois outro dia mamãe soltou uma inédita. disse que eu não dormia, isso já sabemos, isso mantemos, oh, céus, mas sim eu não dormia de jeito nenhum, e ela ficava na cama comigo, cantando e eu dizia "você está cantando errado, mamãe" ou "não é assim, é melhor você parar de cantar". chata. mas ri baldes. não sabia disso, sempre houve violão na família, mas só mais criança mesmo isso passou percebido. fiquei feliz de saber que já com 2 anos a música tinha um lugar de atenção. chata, insone, maluca, mas atenciosa à letra.