quarta-feira, 26 de outubro de 2011

a malvada (all about eve)





cheiro

cheiro de boceta atrai homens e animais também.
esqueci um biquini usado e mezzo lavado pendurado na janela. preguiça de lavar no tanque, acabei só passando uma água e deixei pra depois.
hoje foi depois, e quando entrei no box do chuveiro, várias formigas comiam meus restinhos de ovulação. de onde surgiram tão rápido? moro no sexto andar. foi lá debaixo? foi de dentro das paredes?
um mini tiny weenie narizinho de formiga consegue sentir um resto mortal de algo que não fecundou, mas tem cheiro de possibilidade.
homens e formigas sentem esse cheiro. de possibilidade.



segunda-feira, 17 de outubro de 2011

Sylvia Plath (dos favoritos)

Elm

I know the bottom, she says. I know it with my great tap root;
It is what you fear.
I do not fear it: I have been there.

Is it the sea you hear in me,
Its dissatisfactions?
Or the voice of nothing, that was you madness?

Love is a shadow.
How you lie and cry after it.
Listen: these are its hooves: it has gone off, like a horse.

All night I shall gallup thus, impetuously,
Till your head is a stone, your pillow a little turf,
Echoing, echoing.

Or shall I bring you the sound of poisons?
This is rain now, the big hush.
And this is the fruit of it: tin white, like arsenic.

I have suffered the atrocity of sunsets.
Scorched to the root
My red filaments burn and stand,a hand of wires.

Now I break up in pieces that fly about like clubs.
A wind of such violence
Will tolerate no bystanding: I must shriek.

The moon, also, is merciless: she would drag me
Cruelly, being barren.
Her radience scathes me. Or perhaps I have caught her.

I let her go. I let her go
Diminshed and flat, as after radical surgery.
How your bad dreams possess and endow me.

I am inhabited by a cry.
Nightly it flaps out
Looking, with its hooks, for something to love.

I am terrified by this dark thing
That sleeps in me;
All day I feel its soft, feathery turnings, its malignity.

Clouds pass and disperse.
Are those the faces of love, those pale irretrevables?
Is it for such I agitate my heart?

I am incapable of more knowledge.
What is this, this face
So murderous in its strangle of branches?--

Its snaky acids kiss.
It petrifies the will. These are the isolate, slow faults
That kill, that kill, that kill.


Olmo

Sei o que há no fundo, ela diz. Conheço com minha própria raiz.
Era o que você temia.
Eu não: já estive lá.

É o mar que você ouve em mim.
Suas frustrações?
Ou a voz do nada, essa é sua loucura?

O amor é uma sombra.
Como você chora e mente por ele.
Ouça: estes são seus cascos: fugiram, como cavalos.

Vou galopar a noite inteira assim, impetuosa,
Até que sua cabeça vire pedra, seu travesseiro vire turfa,
Ecoando, ecoando.

Ou devo te trazer o borbulhar das poções?
Isso agora é chuva, esse silêncio imenso.
E este é seu fruto: branco-metálico, como arsênico.

Sofri a atrocidade dos poentes.
Queimada até as raízes
Meus filamentos ardem e ficam, emaranhados de arames.

Meus estilhaços se espalham em centelhas.
Um vento violento assim
Não suporta obstáculos: preciso gritar.

A lua, também, não tem pena de mim: me engole
Cruel e estéril.
Seus raios me arruínam. Ou quem sabe a peguei.

Eu a deixo ir, ir
Magra e minguante, como depois de uma cirurgia radical.
Seus pesadelos me enfeitam e me possuem.

Dentro de mim mora um grito.
De noite ele sai com suas garras, à caça
De algo pra amar.

Sou aterrorizada por essa coisa negra
Que dorme em mim;
O dia inteiro sinto seu roçar leve e macio, sua maldade.

Nuvens passam e se dispersam.
São estas as faces do amor, pálidas, irrecuperáveis?
Foi pra isso que agitei meu coração?

Sou incapaz de mais compreensão.
E o que é isso agora, essa face
Assassina em seus galhos sufocantes? -

O beijo traiçoeiro da serpente.
Petrifica o desejo. Esses são os erros, solitários e lentos,
Que matam, matam, matam.

terça-feira, 4 de outubro de 2011

knock knock

insistem na minha atriz, insistem.
e eu insisto em bater três vezes na minha cara quando falam alguma desgraça.

sábado, 1 de outubro de 2011

a)

eu gosto quando o sol me cega
e qualquer um vira uma surpresa

terça-feira, 27 de setembro de 2011

cosme & damião
















27 de setembro de 2mil&5: alto paraíso. tinha ligado pra minha mãe na noite anterior. "o caboclo do seu pai disse pra você oferecer umas balinhas pra mata". parece diferente, mas eu já era acostumada a esse linguajar da família. no dia seguinte fui na sorveteria/farmácia/armarinho da cidade e comprei uns caramelos.
todos, menos j.c, concordamos que a visita ao parque nacional da chapada dos veadeiros seria feita com papel forte na língua. o cerrado era inédito e um novo amigo insano & egípcio nos acompanhou. não era feriado, não era sábado, o parque era nosso, os peitos eram pro vento. pedras, força e água. "nunca vai acabar a água do mundo, nunca". os galhos do centro-0este eram negros e se destacavam de uma maneira hipnótica. mas é de queimada ou é da natureza negra?
pulei de pedras, nunca era a primeira, lógico. os sanduíches amassados nas bolsas, a paranóia de estarmos muito queimados, mais quedas d'água. a pedra era a pedra, mas era eu, era ela, era ele, você sabe do que eu estou falando. inacreditavelmente encontro uma amiga do trabalho do meu pai, inês era figura, engraçada, estava com a namorada e outras amigas. segurei minha mania hiperbólica (ainda mais no estado) com a coincidência do encontro. já não lembro se ela viu meu peito. ou se nessa hora eu estava coberta. já não lembro.
me chamaram pra ir numa gruta, conforme fomos entrando ouvi barulhos de morcegos e realmente vi um. claustrofóbica e com medo do escuro, resolvi sair. fiquei sozinha naquele universão, entrei n'água, a cachoeira era tão alta que uma faixa que proíbe passagem das pessoas, geralmente amarela e preta, demarcava até onde poderíamos nadar. nisso, uma cobra d'água, quase transparente passa ao meu lado lentamente. a gruta e os morcegos me assustaram, não sei como explicar que a cobra não. quieta mas em suspensão, a acompanhei até desaparecer.
o nosso guia só ria. junior. 19 anos talvez. local. "nunca tive um grupo tão louco". oh junior, perdão. andamos muito. mil trilhas que fizemos com amor, COM AMOR, andar era o paraíso, era a garantia de um novo cenário. "mas aqui está tão bom", alguns diziam. mas lá também vai estar e de fato, estava.
num dos trajetos, de repente lembrei de minha mãe e do caboclo do meu pai. era dia de cosme & damião, afinal. e meus caramelos já quase quicavam na bolsa, sentindo a mata. comecei a chorar. não choro muito na frente dos outros, mas chorei, chorei, me emocionei. é triste a perdição da palavra EMOÇÃO, mas o que aconteceu é que eu me emocionei muito.
pedi pra me deixarem a sós, com a mata, eu que sempre fui tão medrosa, a sós no centro do país, sapos amarelos me olhavam, cobras d'água me rondavam, e eu quis ficar só. o que relato agora é a pura verdade, com ou sem lisergia, cabe a você querer ou não acreditar, por que aconteceu.
me isolei num trecho da mata, cantei uns pontos, pedi proteção pra minha criança interior, a que eu não deixo crescer e que bom, e que tesouro, coração, que tesouro. retirei os caramelos da bolsa, e meu elemento é terra, meu amor, não me chama pra passear de iate de luxo, nem pra voar tal qual pássado que eu prefiro colocar o pé no chão, sem chinelo, essa sou eu. quando coloquei os caramelos em cima de umas folhas, na terra, as folhas abraçaram meus doces e os engoliram. aos prantos, agradeci o sentido, o visto e voltei para os amigos.
o parque iria fechar, a gente estava no auge da abertura, voltamos pra vila, tomamos um sorvete na sorveteria/farmácia/armarinho, a luz faltou, causando uma tensão boa. um homem nos vendo ávidos por mais uma aventura nos alertou sobre as águas termais, ele tinha um carro grande, desses com caçamba, e poderia nos levar.
chegamos no céu. no meio da floresta, uma piscina natural, com água pelando vindo debaixo da terra, magma, lavas, núcleo. 10 amigos e 2 desconhecidos dentro de uma piscina, onde vez ou outra pulavam uns sapos, no inícios as meninas fizeram corinho de horror, eu incluída, claro, mas aos poucos fomos nos acostumando. as árvores eram altas, mas só eram a moldura ao olhar para o céu, o miolo eram trocentas estrelas. orquestra dos bichos noturnos que tanto aguentaram o sol escaldante pra finalmente agora se mostrar também. fizemos uma roda da massagem, foram muitos quilômetros percorridos no parque, a água quente curava, mas o toque dos amigos ajudava também.
voltamos no carro do desconhecido, agradecemos e ainda dentro da barraca comentei com joana e tainá: "seus cabelos estão roxos nas pontas".
não lembro o que eu sonhei. porque eu já tinha.

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

pow pow pow

Poucas letras de música me perturbam tanto quanto essa.
São muitas versões curiosas e maravilhosas, e essa letra, céus, ESSA LETRA.
Você pode ouvir essa, essa, essa, essa, essa, essa, essa ou essa versão.

I remember when i was a girl
Our house caught on fire
And i'll never forget the look on my father's face
As he gathered me in his arms
And raced to the burning building out on the pavement
And I stood there shivering
And watched the whole world go up in flames
And when it was all over
I said to myself
" Is that all there is to a fire ? "
Is that all there is?

Is that all there is?
If that's all there is, my friends, then let's keep dancing
Let's break out the booze and have a ball
If that's all there is

And when I was twelve years old
My daddy took me to the circus
The greatest show on earth
And there were clowns
And elephants
Dancing bears,
And a beautiful lady in pink tights flew high above our heads

And as I sat there watching
I had the feeling that something was missing
I don't know what
But when it was all over
I said to myself
" Is that all there is to the circus ? "

Is that all there is?
If that's all there is, my friends, then let's keep dancing
Let's break out the booze and have a ball
If that's all there is

And then I fell in love
With the most wonderful boy in the world
We'd take long walks down by the river
Or just sit for hours gazing into each other's eyes
We were so very much in love

And then one day
He went away
And i thought i'd die
But I didn't
And when I didn't
I said to myself
" Is that all there is to love ? "

Is that all there is?
If that's all there is, my friends, then let's keep

I know what you must be saying to yourselves
If that's the way she feels about it
Then why doesn't she just end it all
Oh no. not me. i'm not ready for the final disappointment
'Cause I know just as well as i'm standing here talking to you
That when that final moment comes
And i'm breathing my last breath
I know what I'll be saying to myself
" Is that all there is ? "

Is that all there is?
If that's all there is, my friends, then let's keep dancing
Let's break out the booze and have a ball
If that's all there is

sexta-feira, 16 de setembro de 2011

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

um segundo

se uma pessoa cuja carreira você sempre questionou, de repente te elogia muito, o que você sente?
se importar menos com um elogio não é diminuí-lo.
e se importar muito com uma crítica não é fuder a cabeça.

você aí que já me contratou ou me resumiu: eu nunca fui atriz.
enganei vagabond geral.do.azevedo.

terça-feira, 13 de setembro de 2011

susan sontag

se a gente acha que o nosso tempo está sobrecarregado de formalidades insinceras e vazias, a gente opta pela espontaneidade, até pelo comportamento indecoroso...boa parte da moralidade é a tarefa de compensar a própria época em que se vive. a gente adota virtudes fora de moda, numa época indecorosa.
numa época esvaziada pelo decoro, devemos nos educar na espontaneidade.