quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

que 2mil&13

seja mais suave

astrologicamente sei que não vai ser

foda

mas não custa nada desejar

suavidade
suavidaddy

sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

embrulho


na tijuca, na loja asiática de muitas opções, as vendedoras ainda embrulham o presente com papel. não é saquinho plástico metalizado. é papel colorido, com cheiro de mesbla. quando é caixa, facilita. e as mãos deslizam e o durex ajuda, e eu vou encostando minha pançiña no balcão e ficando com muito, muito sono. é uma coisa bonita de ver. abrir presente e rasgar papel é excitante, & curioso. mas a feitura, o processo do antes é quase sonífero, pra mim.

quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

z

todos dormem antes de mim
é bom brincar com seus corpinhos
ver o r.e.m
especular se sonham comigo
ou com outras
me sentir no filme
um morto muito louco
tocar os corpinhos
dar tchauzinho
ver as partes relaxadas
todos dormem antes de mim
todos morrem antes de mim
todos sonham antes de mim
meu nome é depois


domingo, 16 de dezembro de 2012

anoz lus
anos luz


segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

tragédia grega

apocalipse não é o fim do mundo. é revelação.

quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

gaivota

o pássaro
vê o peixe de cima
e mergulha

eu sinto
o peixe por baixo
e saio




domingo, 11 de novembro de 2012

Sadness, por Lithe Ebullience

Sadness gives depth. Happiness gives height. Sadness gives roots. Happiness gives branches. Happiness is like a tree going into the sky, and sadness is like the roots going down into the womb of the earth. Both are needed, and the higher a tree goes, the deeper it goes, simultaneously. The bigger the tree, the bigger will be its roots. In fact, it is always in proportion. That's its balance.

Tristeza dá profundidade. Felicidade dá altura. A tristeza são as raízes. A felicidade são os ramos. A felicidade é como os galhos da árvore que crescem em direção ao céu, e a tristeza é como as raízes descendo no ventre da terra. Ambos são necessários, e quanto maior a árvore é, mais fundo as raízes vão, simultaneamente. Quanto mais alta a árvore, mais profundas serão suas raízes. Na verdade, é sempre proporcional. Esse é o seu equilíbrio.

terça-feira, 6 de novembro de 2012

su

levei 4 pontos no suvaco
nunca tinha levado ponto
nunca abri nada
tampouco quebrei
já me machuquei um bocado
mas nunca tinham me costurado
e logo no suvaco
meu amor
meus ferormônios
meu tesão todo
4 pontos no suvaquinho esquerdo
mais uma cicatriz pra amar
e ficar me me admirando no espelho

domingo, 7 de outubro de 2012

revelaçãoziña

já sabia que fui bebê difícil, filha do verão da classe média sem ar condicionado. caçula de 3, menino é mais fácil? os meus irmãos eram. nasci chatinha, vênus retrógrada, rolou alguma coisa sim. minha mãe cansada, também pudera, parada louca, hoje em dia nem filho tenho e meus amigos só têm 1 e já sofrem, já não saem de casa pra nada, e minha mãe teve 3 em menos de 5 anos, pow pow pow.
gosto de saber da minha infância, é minha lua. me leva diretamente pra isso. lucas não, lua em aquário, acha fofo descobrir, ri, mas não se apega a isso, de maneira alguma. eu faço alusões, interpreto, levo pra além. pois outro dia mamãe soltou uma inédita. disse que eu não dormia, isso já sabemos, isso mantemos, oh, céus, mas sim eu não dormia de jeito nenhum, e ela ficava na cama comigo, cantando e eu dizia "você está cantando errado, mamãe" ou "não é assim, é melhor você parar de cantar". chata. mas ri baldes. não sabia disso, sempre houve violão na família, mas só mais criança mesmo isso passou percebido. fiquei feliz de saber que já com 2 anos a música tinha um lugar de atenção. chata, insone, maluca, mas atenciosa à letra.

segunda-feira, 24 de setembro de 2012

tijuca, minha

texto de julho de 2008




A Tijuca não existe, e eu, portanto, invento caminhos e pessoas. Mas acreditem em mim quando eu contar isso: 

Tive uma vida de oito anos de aparelho, a conseqüência é um sorriso bacana que condiz com a gargalhada. Agradeço ao Dr. Antônio e a meus pais que pagaram fortunas. Mas no fundo-no fundo, tenho dentes meio fracos, apesar de raízes enormes que quase me matam na hora de arrancar o siso.Bonitinha mas ordinária. Inclusive já tive até que tratar um canal em um dente. Terror, aflição e sangue. Passei um dia coçando a gengiva com a língua. Aquela coisa inicial gostosa. De repente, começou a doer e lá fui eu ao Nilo, dentista da família e meu conhecedor há 20 anos. Figura de sobrenome Máximo. Saí do Nilo com risadas, oralmente anestesiada, broncas por deixar de ir lá e com saudades de andar ao léu pela Tijuca bizola, amada & odiada. Esperava o amor ligar e então fui passear. Praça Saens Peña. Uma mini Copacabana, mas muito mais retrógrada e tradiça. Resolvo sentar num banco onde duas senhoras conversam. Eu sento. A senhora de óculos começa: “Que dentes bonitos você tem!” Rio da coincidência ou da falta dela e da praticidade do mundo se mostrar mundo para mim e agradeço. Ela continua: “Mas você é realmente muito bonita, minha filha”. A amiga, portuguesa por sotaque, emenda: “De fato, um moça muito elegante.” Eu agradeço de boca um pouco torta. E começamos uma conversa pra lá de antiga. Nisso, um homem com calça camuflada começa a pregar a palavra de Deus para uma praça que não lhe olha. Os homens jogam buraco e não ligam. Casais em outro bancos não param o beijo. E o homem urra: “Deus não abençoa os ladrões”. Para meu espanto, a senhora portuguesa até então mais tímida, grita: “Mas o ladrão não nasceu ladrão”. A senhora de óculos, constrangida, faz sssshhhh para amiga que acabara de se revelar anarquista. O amor liga e eu preciso ir embora. Me despeço e ouço um “Cuide bem dos seus dentes, minha filha” que me deixa arrepiada e com vontade de passar fio dental até sangrar tudo. Levanto e vejo uma garça no laguinho que sempre foi sujo e sempre alegrou descamisados no verão. Nisso, uma mulher, já senhora, mas com efeitos de plástica, coordena um fotógrafo atrapalhado: “Isso, aqui, agora assim. Vai” Ela está com um guarda-chuva mezzo brega, mezzo dispensável. Ela senta no chão, aos pés do laguinho tijucano e grita: “Pega a garça ao fundo”. As pessoas param e observam o editorial cafona. Me junto a um grupo de curiosos e tentamos adivinhar quem é ela. Mas desisto de tentar quando dizem que ela fez “Barriga de aluguel”. Minha memória vai até a esquina. E volta. Mas o melhor, o que me fez delirar foi quando uma empregada doméstica (digo isso pois ouvi sua profissão, meu julgamento é tão fora da realidade que poderia pensar qualquer coisa dela) ficou olhando atentamente a modelo sentada aos pés do chafariz, e o fotógrafo Glamour Foto Studio dizendo uma ou outra coisa sem sal. Ao ver um saco plástico compondo a foto, a empregada doméstica não pensou duas vezes: virou diretora de arte. 
- Tira esse saco plástico debaixo do seu pé, minha querida. 
Saco no lixo, flash liberado, foto feita e todo meu amor pela Tijuca de volta.